sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

MISTICISMO

O MISTÉRIO DA ALMA E DAS MÃOS


Duas vidas passadas
Perdidas no tempo...
Chegaram ao meu corpo
Absorto...


Espíritos encarnados
Peso nos ombros...
De onde vieram?


A vida como ela é...
Em alguns momentos sou Antonio...
  Em outros sou José...



Tudo o que somos...
São conseqüências do passado
Seremos então...
Aquilo que prepararmos no presente


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O ÚLTIMO MALANDRO


O GALÃ DO BOTEQUIM
 
Durante as primeiras décadas do Século passado, a especulação imobiliária se espalhava pela cidade do Rio de Janeiro. Com isso, formaram-se diversos morros e favelas no cenário urbano carioca.
O samba que havia nascido no centro da cidade galgaria as encostas dos morros e se alastraria pelos subúrbios.

Estes locais formaram o celeiro de novos talentos musicais e da consolidação do samba urbano.

Foram inovações tão importantes que perduram até os dias atuais dentro do samba, mais tarde, alçados à condição de "nacional".

 

 

O grande propulsor de mudanças foi o bairro de Estácio de Sá, de em popular e com grande aglomeração de pretos e mulatos; onde nasceu o reduto dos “antigos malandros” considerados naquela época pelas classes dominantes, como "perigosos"; muito diferente dos atuais, não cabendo mais uma rotulação, tamanha foi à modificação acontecida.

Naqueles tempos a figura do “malandro” era entendida apenas como uma pessoa esperta e, muitos deles, com um extremo e refinado gosto musical, compondo um samba no simples olhar para uma mulata descendo ladeira abaixo.

Naquele local, ainda vivia o ultimo remanescente de uma época.

 

 É de manhã no último reduto

Sol a pino como manda o figurino

 

O botequim abriu suas portas

Para receber o famoso malandro!

 

 Chegou cheio de pose e prosa...

Terno de linho branco... Rosa na lapela...

Chapéu panamá com moldura preta

Sapato bicolor com salto carrapeta

 

 Passos de forma cadenciada na chegada...

Saudou o velho garçom no balcão

Naquelas gírias. Com aquela fala macia...

 

 Sentou-se naquela mesa...

Pediu uma cerveja

Jogou um pouco para as almas

 

Epaminondas... Cadê o repórter?

Aí do seu lado mestre

Trouxe à grana? Que bom...

Agora vou falar...

 

 Fui boêmio cheio de bravata

Do tempo da gravata

Também bacana, lá de Copacabana.

 

 Amigo da noite e de Noel

Com jeito moleque

Do samba de breque...

 

Do tempo que escrevia musica no papel...

De embrulho ou de pão e com a mão...

 

 Recinto ritmado e perfumado

Morena carioca rebolando

Tudo preparado...

Para despertar o velho malandro

 

 Ficou em polvorosa

Vendo aquela diva gostosa.

Velhos tempos... Água na boca...

 

 Inspiração divina...

Rabiscos no guardanapo

Versos benditos... De samba enredo

Escolas na avenida

Nos dias de glória.

 

No bairro do Estácio...
 Se desejar ver essa versão em formatação acesse o site: http://sergrasan toninhovendraminislides

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

LAMPEJOS NOTURNOS

DUAS MULHERES...DOIS AMORES


São momentos... E mais momentos...
Que passeiam pelo pensamento
Lembrando algo acontecido
Gravados no fundo da alma
Que jamais serão esquecidos

Donzela da noite...
Na vida de um mancebo
Amedrontado...
Não tem pai para lhe ensinar essas coisas
Amargurado... Refúgio no peito da mãe.

Fala do seu estranho sentimento
Com palavras inadequadas
Aprendidas nos cantos da vida
Palavras... Palavras... Palavras... Obscenas...
Sentiu a ausência paterna

O conselho tem um jeito estranho
A paixão se embrutece
Duas mulheres em sua vida
Dama da noite com beijo noturno.
Mãe carinhosa, com abraço afetuoso

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O SOM DOS ANOS DOURADOS - ANNI MODERNI

 Anni Moderni
MÚSICAS DA ÉPOCA
Repassando algumas fotos e recortes de jornais, armazenados em uma caixa de papelão no meu armário de guardados, pude trazer para o presente, algumas lembranças que estavam esquecidas nas paredes da memória e do tempo.

Comecei a imaginar aqueles velhos tempos, contemplando registros de uma época, que muitas pessoas rotularam como anos dourados, o qual eu e muita gente da minha roda de amigos e parentes estávamos inseridas.

Um recorte chamou mais atenção porque estava estampada a minha fotografia, tocando bateria na orquestra City Swing, que animava as domingueiras matinais, e que funcionava no Clube Grêmio dos Ferroviários, que tinha como início, logo após a missa das nove horas, na tradicional igreja da matriz de minha cidade.

A garotada que não ia ao cine Ypiranga, assistir os desenhos do Tom e Jerry, corria para o Grêmio, na rua logo abaixo da praça central, para dançar o tal de rock, ritmo delirante dos nossos tempos. A sensação era as musicas do Elvis Presley, astro americano que esbanjava categoria, cujas musicas eram tocadas nas rádios incessantemente, e nós da orquestra, reproduzíamos loucamente nessas domingueiras.

O nosso “Elvis” era o Ted Milton, tinha uma voz forte e parecida com a do famoso cantor, estufava o peito e soltava a garganta e se requebrava todo nas musicas; Tutti Frutti, Blue Sued Shoes e depois as mais amenas, como Love Me Tender e Always On My Mind.

Depois de algum tempo, as domingueiras foram descontinuadas, porque alguns membros da orquestra chegavam do baile no sábado à noite, muito cansados e não havia mais condições físicas. Eu gostava muito, porque só atuava nos domingos. Foi uma tristeza o fim daquilo tudo, porque já tinha virado um acontecimento regional, com pessoas vindas de vários lugares, para brincar e dançar o ritmo frenético.

Com isso veio à idéia de formar um conjunto musical, que virou um trio, para tocar nas chamadas “brincadeiras dançantes”, copiadas dos filmes americanos que víamos no cinema. A primeira foi na casa de uma garota que nem me lembro mais o nome. Fomos chamados pelos pais, para saber o que era “aquilo”, e depois de muita conversa foi autorizada.

O local, (uma grande garagem), era o ideal, porque havia por lá um piano, condição principal, para juntar o acompanhamento (bateria e saxofone).

O trio não tinha nome, mas íamos sempre de camisa vermelha, calça e sapatos pretos. Dos componentes, eu era conhecido por Tony Vendra, cujo nome ficava estampado no surdo de pedal da bateria, comprado por meus pais de tanto insistir para ter aquela parafernália maluca dentro de casa. Os outros dois, Joel das “Candongas” ao piano, e Joãozinho “Boa-Pinta” ao saxofone.

No dia marcado para “as dançantes”, meu pai pacientemente transportava em seu Ford, os apetrechos da “batera” no porta-malas, que parecia uma “barca” de tão grande.

Já nessa época, as musicas eram as menos barulhentas, condição “imposta” pelos pais da moça, então ficávamos nas musicas lentas, e na época, imperava as canções Italianas, próprias para as danças de rosto colado, com muita “conversa fiada” ao pé do ouvido das meninas.

Á abertura da noite tinha uma musica muito especial, intitulada “Non Ho L’età” (não tenho idade) cantada por uma menina do grupo, imitando a Gigliola Cinquetti, que em seu conteúdo, falava que a garota, ainda não tinha idade para namorar. Isso agradava os pais das meninas que cedia a casa e o piano.

Começamos a ficar famosos, porque até os nossos professores mais jovens, vinham assistir e também dançar. Na segunda-feira, na escola, era um falatório geral, ficávamos rodeados de meninas que vinham conversar o que iríamos tocar nas próximas, nada mais do que isso.

Em outras ocasiões, lá pelo meio da festa, era servido pela mãe da moça, o tal de “ponche”, uma bebidinha meio sem graça para os mais grandinhos, então “do nada”, aparecia uma garrafa de vodka com o conteúdo despejado na vasilha que continha a bebida, (sem que ninguém percebesse), onde tinha uma concha para colocar nos copos.

Aquela bebida “ia para as cabeças”, e muita gente começava a ficar alegre e muitas declarações de amor eram faladas ao som do nosso trio. Desse momento, surgiu à idéia, de nos intervalos, fazer declamação de poemas e poesias, que as meninas o faziam com magistral sabedoria e postura poética.

No final, tinha muita gente, engrossado pelo pessoal das domingueiras do Grêmio, que começaram a chegar e não havia mais lugar na garagem ou na sala, então metade da turma ia para a rua e ficavam dançando por lá, com muitos vizinhos gostando, outros nem tanto, daquele movimento alegre e jovial. Tinha “uns” que “melavam o pé” e caiam no jardim da casa, depositando nos vasos de flores, as comidas e bebidas sorvidas durante a festa.

Num desses eventos, fui convidado por uma moça de nome Nancy, com muito mais idade, para me apresentar na radio Difusora, aos sábados pela manhã, em um programa em que ela tocava musicas a pedido de ouvintes, através de carta ou telefonema. Eu deveria atender aos telefonemas (tudo previamente combinado), e dizer que a musica escolhida, seria complementada com alguns versinhos, (selecionados em conjunto com o programador), baseados naqueles feitos por mim e declamados pelas mocinhas das brincadeiras dançantes.

Eu topei logo de cara, sabendo que a minha recompensa era receber entradas para os cinemas, oferecido pelos cines Ypiranga e Marabá.

Antes do programar ir para o ar, eu conversava com a Nancy e o programador, explicando que as músicas deveriam ser “escolhidas” por quem telefonasse ou escrevesse, com o tema Italiano, que era a “coqueluche” do momento, com cantores maravilhosos da época, destacando alguns:

  • John Foster – Amore Scusami;
  • Lorella Vital – Se Non Avessi Piu Te;
  • Pino Donaggio – L’ultimo Romântico;
  • Sérgio Endrigo – Canzone Per Te.
  • Peppino Di Capri – Roberta;
  • Luigi Tenco – Ho Capito Che Ti Amo.
  • Domenico Modugno - Legata A Um Granello Di Sabbia, Piove e, Tu Si’Na Cosa Grande (Letra abaixo):
Canta Modugno:

Tu si’’na cosa grande per me. – Você é uma coisa grande para mim.
‘Na cosa Ca mi fà’nnamurà. – Uma coisa que me deixa apaixonado.
‘Na cosa Che si tu guarda a me. – Uma coisa que você olha para mim.
Me ne moro accussì guardanno a te. – Posso até morrer, assim, só olhando para você.
Vurria sapé na cosa da te. – Queria saber uma coisa de você.
Percchè cuanno te guardo accussì. – Se quando te olho assim.
Si pure tu te siente morì. – Você também se sente morrer.
Nom me o dice a num me fai capi. – Por que então não fala para mim?
Ma percchè. – Por quê.

Esse foi o grande Modugno, que eu apreciava tanto, com belíssimas composições, um magnífico cantor. Chegou a vir até ao Brasil, onde se apresentou em São Paulo e Rio, com grande sucesso. Tudo isso foi para mim, uma paisagem de astros e músicas que marcaram o fim dos anos 50 e início dos 60, onde vivi essa época com muita alegria. Então vamos cantar com eles... E sentir uma saudade imensa, dos Anni Moderni.
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A SEMENTE

 A  SEMENTE
Buscando o universo da vida
Na explosão de um amor


Cheguei cansado
Em uma jornada extenuante
Por um túnel profundo


La dentro da casinha
Fiz a minha caminha

Cresci protegido
Desde que fui concebido


Estive na bolsa de águas escuras
Querendo ver a luz brilhar
Cheguei enxergando este mundo...
Sentindo emoções... Com bondade... Com alegria...


DEUS ESTÁ PRESENTE

Entrei no escuro da noite Conversei com Deus Pediu que te dissesse: Tudo está bem. És uma pessoa destinada a ser vitoriosa ...