segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ciúmes da Viola





Em uma longínqua cidadezinha do interior, conhecida por Jacundá Mirim, vivia um caboclo muito conhecido por Juca guizo de cobra. Carregava esse apelido desde criança, porque seu pai em uma noite de festa de São João, com muita pinga rolando de boca em boca, teve uma visão, anunciando que o seu filho mais novo, iria se tornar um grande violeiro.

Para tanto, deveria junto com o menino, capturar uma cascavel, enrolá-la em seu braço direito e fazer várias rezas em uma capela abandonada na beira da estrada do local onde moravam que a “profecia” seria realizada.

Partiram para lá e viram uma cobra enrolada nos pés do único santo que estava postado em um altar todo empoeirado, que todos diziam milagreiro, pois as pessoas em desespero de causa iam buscar naquele local, apoio para suas dificuldades. Foi uma correria danada dentro do local, até que conseguiram apanhar a serpente.

Ainda na visão do Zé Mangabeira, pai do Juca, no dia seguinte deveria sacrificá-la, pois era sexta-feira dia treze e, tudo estava acontecendo, conforme recebido em sua visão.

Feito isso, pai e o filho, deveriam cortar a cabeça e o guizo e deixar àquelas partes, secar ao sol, sobre um pé de aroeira.

Depois dessa etapa, os ossos deveriam ser colocados dentro de uma viola, que não podia ser comprada, tinha que ser presenteada, o que fez um dos seus tios, por imposição do pai, o Zé Mangabeira.

Assim sendo, Juca não precisou aprender a tocar o instrumento, esse “dom” foi concebido em uma noite de luar, quando o tio entregou-lhe a viola na presença do pai. Acarinhou-a de mansinho e logo foi colocando o nome, Lucinda, que já tinha no pensamento. Naquele instante começou a palmeá-la com sutileza e muita delicadeza, tornando-se desde então, um tocador inigualável.

Não deixava ninguém chegar perto de Lucinda, porque alguns sabiam daquela “estória do guizo” e queriam ver o chacoalhar diferente da caixa de som, produzido pelo dedilhar do Juca, ágeis que nem uma cobra, transformando velhas canções como “Abismos de Rosas”, em solos entorpecedores deixando as pessoas maravilhadas.
 
 Sua fama correu fronteiras, e assim, era chamado para tocar nas festas de peão-boiadeiro, casamentos e bailes de cocheiras.

Nos momentos dos intervalos dos shows quando ia ao sanitário, tinha que levá-la, pois não confiava em deixá-la com alguém, assim sendo, comprou um cachorro, daquele tipo policial, a quem confiou à guarda, o que fazia com dedicação, ninguém se atrevia chegar perto da viola, que ele, Pitoco, rosnava e latia.

Não tinha empresário, tudo era acertado nos momentos que antecedia uma apresentação, não gostava de tratar nada por telefone. E assim foi crescendo ainda mais sua fama de violeiro, tendo por companheiros a viola Lucinda e o cachorro Pitoco.

Em suas apresentações o locutor do rodeio assim o apresentava:

- E agora no ápice da noite, para abrilhantar a nossa festa, vem aí o violeiro Juca, acompanhado de sua viola Lucinda e seu fiel escudeiro, o cachorro Pitoco.

Era uma alegria imensa, porque conforme Juca dedilhava a viola, Pitoco uivava sem parar, como se fosse um acompanhante da musica, mas no fundo eram ciúmes da Lucinda, ele a queria tanto, que dormia ao seu lado, e Juca podia ir para a farra, que não havia perigo de ninguém entrar em seu camarim, para olhar o que tinha dentro da caixa de som, porque o solo que Juca apresentava era diferente, tinha algo enfeitiçado que todos queriam desvendar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mulheres

 MULHERES



De onde vieram as mulheres? Certamente de um mundo que não conseguimos enxergar e não sabemos ao certo onde fica. Vieram nos presenteando com sua alma feminina, acolhendo, amando e também com o dom supremo de gerar novas criaturas.

Com imensa ternura, criam os filhos que serão os personagens do amanhã, dedicando-lhes todos os ensinamentos básicos, principalmente na preservação dos aspectos morais.

Muitas vezes alem de todas essas responsabilidades, chegou mais uma, que é a de buscar em certas circunstancias, ajuda no sustendo do lar, tendo uma dupla jornada, não se cansando, porque o amor que tem pela família e as pessoas que lhes são caras ao seu redor, são inconfundíveis.

E assim, cultuamos as mulheres de nossas vidas, vindas desse mundo, que se soubéssemos, certamente nos transportariam, para aprendermos a falar mais das coisas do amor, que às vezes nos esquecemos, atribulados pelo burburinho de nossos afazeres.

Essas mulheres, que apesar de tudo o que fazem ainda nos recebe carinhosamente no findar do dia, dando-nos boas vindas, ofertando-nos amparo para as nossas reclamações, com conforto e amor.

Parabéns mulheres, pela coragem e a sensibilidade que lhes são características, na produção carinhosa de palavras de amor e do apoio que sempre necessitamos.

ANOS DOURADOS DE UMA ÉPOCA VIVIDA

ANOS DOURADOS  DE UMA ÉPOCA VIVIDA Repassando algumas fotos e recortes de jornais, armazenados em uma caixa de papelão no meu...