segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O CASTELO MEDIEVAL DE SÃO JORGE



Viajando por lugares distantes acabamos por conhecer outras crenças e estilos de vidas até então desconhecidos. Essa premissa e concepção modificam nossos pensamentos, porque se abastecem de novas sensações, fatores preponderantes para adquirir novos conhecimentos e solidificar a nossa cultura. Assim sendo conhecer outros países é experiência única, recomendável a todos os seres viventes do planeta.

Dentro desse contexto, conheci em Lisboa Portugal, o castelo de São Jorge, trata-se de um Monumento Nacional que integra a zona nobre da antiga cidadela.

Antes de adentrar as instalações deparei-me com uma imagem de São Jorge (foto) que é o padroeiro do castelo e que se encontra com uma proteção de vidro, no caminho da entrada da fortaleza.
 
Naquele momento fiz uma oração para que o meu Corinthians que tem nele também o seu protetor mostrasse o rumo das vitorias no campo esportivo para ser o campeão do ano (2011), uma vez que vinha embalado na primeira colocação, conforme as noticias que chegavam do Brasil. Não deu outra, ficamos campeões.

Cheguei então às bilheterias para adquirir os ingressos e falei em nosso idioma com uma das atendentes:
 
- Quero dois bilhetes, e ela respondeu:
- Em que idioma o senhor quer o folheto explicativo? Respondi: Pode ser em nosso idioma mesmo.

Fiquei então me perguntando, será que não entendeu o que eu havia falado?

Ao entrar pelo portão principal, ficamos impressionados com a monumental fortificação, construída por muçulmanos em meados do século XI, era o último reduto de defesa para as elites que viviam no local.

Após a conquista de Lisboa em 1147, por D. Afonso, primeiro rei de Portugal, o castelo conheceu seu período áureo, os antigos edifícios da época islâmica foram adaptados e ampliados para acolher o Rei e sua Corte daquela época.

Foi transformado então pelos reis no século XIII e escolhido para receber personagens ilustres nacionais e estrangeiras, para aclamarem-se Reis ao longo dos séculos XIV, XV e XVI.
 
Mas é após o terremoto de 1755 onde foi parcialmente destruído, é que começa uma renovação mais aprimorada com o aparecimento de muitas construções novas que vão escondendo as ruínas mais antigas.

 Entre 1938 a 40, redescobre-se o castelo e os vestígios do antigo paço real. Em meio às demolições e adaptações às antigas construções são resgatadas. O castelo readquiriu a imponência de outrora sendo devolvido aos seus cidadãos.

 Em virtude de sua excepcional localização em uma das sete colinas da cidade, possui um monumental conjunto de torres, totalizando em seis, que se transformou em miradouros, que os visitantes podem avistar majestosas paisagens da cidade, destacando-se o esplendor do rio Tejo e a moderna ponte Vasco da Gama.

A ponte faz a ligação entre Montijo e Alcochete a Lisboa e Sacavém, próximo ao Parque das Nações onde se realizou a Expo 98. Foi inaugurada em 04 de abril de 1998, é a mais longa da Europa e a nona mais extensa do mundo, com os seus 17,3 km de comprimento, dos quais 12 estão sobre as águas do estuario.

Voltando ao castelo, vejo o bonito panorama da torre de Menagem como sendo a mais importante e a mais robusta, estando preparada para resistir a um ataque cerrado, servindo também como posto de comando privilegiado. Era nesta torre que se hasteava o estandarte real, símbolo do alcaide, o governador e depois ao Rei.
 
Entrei também na torre do Paço conhecido como casa dos leões, assim designada por guardar naquela época, dois leões que acabei não sabendo por que, talvez para inibir a entrada, uma vez que no século XVI passou a guardar o Arquivo Real.

Mas como a curiosidade era muita, alcancei o outro lado da torre, e para meu espanto, notei lá dentro dois falcões que estavam bem instalados, e de modo arredio, bateram asas e soltaram alguns trinados, fazendo com que eu saísse muito rápido, descendo as escadas em velocidade.

Procurei mais uma vez alguma informação sobre aquelas aves e o zelador não soube informar, dizendo apenas que era o tratador das aves.

Analisando mais detalhadamente a situação, creio que quiseram manter a tradição com dois falcões, uma vez que com leões deve ser mais complicado. Assim sendo, estão lá os dois falcões, para aguçar às pesquisas dos historiadores.

O local está transformado em um grande centro turístico, com uma bela estrutura gastronômica, muitas tabernas antigas com comidas magistrais portuguesas, sempre regadas com belos vinhos elaborados na região. Em um local muito aprazível sob uma tenda refrescante e com musica ao vivo, desfrutamos saborosas sardinhas na brasa a moda lisboeta, com belas taças de vinho branco gelado, ainda no veranico europeu.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

CONTEMPLANDO GUERNICA




GUERNICA 



Após uma visita panorâmica da cidade de Madri, percorrendo seus principais bairros e monumentos, tais como: Plaza de Espanha, a espetacular Gran Via, ladeada por belos edifícios, Praça Cibeles, com sua harmoniosa fonte dedicada à deusa grega da fertilidade, Paseo Del Prado, com seu famoso museu. Logo mais adiante, nos deparamos com a monumental Estação Ferroviária Atocha, esbanjando um visual esplendido em seus entornos, propiciado por um belíssimo jardim tropical, nem parecendo que em alguns anos atrás, foi alvo de um ato de terrorismo. Em um dos acessos, foi erguido um memorial em louvor aos que tombaram naquele dia de terrível agonia. 

Essa estação foi para nós, uma referência para encontrarmos e visitarmos o Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, esposa do Rei Juan Carlos, que tínhamos como meta ainda naquele final de tarde noite. Já sabíamos que o nosso foco estava concentrado no segundo andar, onde se encontra um espaço totalmente dedicado ao pintor cubista Espanhol Pablo Picasso.

Quando se fala desse artista, logo vem à mente, o painel mundialmente conhecido; GUERNICA, que acaba sendo a atração principal. A foto que coloquei no início do meu relato, foi obtida através da internet, pois no local, não há permissão e o ingresso de máquinas fotográficas é severamente controlado.

La chegando verificamos que o valor do ingresso era de 30 euros. Fomos então procurar a bilheteria e o vendedor nos informou que a partir das 19h00, o acesso seria grátis, como faltava meia hora, ficamos pelas imediações vendo o movimento que transcorria com graciosidade, mas com uma ligeira pressa dos turistas afluindo para o local, pois já sabiam da concessão gratuita.

Subimos pelo elevador e saímos no espaço certo, onde começamos a percorrer os corredores e sentíamos a emoção entrando em nossos corações e olhos, contemplando as famosas obras do pintor, até que em um dado momento se percebeu uma enorme aglomeração, devidamente policiada por seguranças com os administradores pedindo silencio absoluto; estávamos diante de Guernica.

Trata-se da trágica e clássica obra do pintor, colocando naquele imenso painel, suas mais íntimas impressões, retratando as conseqüências do intenso bombardeio sofrido pela cidade durante a Guerra Civil Espanhola.

O painel foi produzido em 1937 e exposto naquela ocasião no Pavilhão Internacional de Paris reservado à República Espanhola. É grandioso em todos os sentidos, tanto na catástrofe quanto no seu tamanho. Foi elaborado em tela pintada a óleo, mostrando o símbolo doloroso produzido pelas guerras.


Pelos relatos e as informações obtidas nos prospectos, o artista mostrou toda sua rejeição a tamanha violência, reproduzindo o povo, os animais e as construções atingidas pelo bombardeio.

O pintor que aparece em destaque na foto do painel, tendo ao lado os notáveis artistas conterrâneos, Miró e Dali, conseguiu transmitir para o mundo, o absurdo e a falta de sentido gerado por uma guerra.




Após a saída, ao passar em frente à estação que foi fielmente reconstruída e revitalizada, exaltando toda sua beleza, olhei para o monumento iluminado, entendendo a revolta do povo espanhol, pelo ato de terrorismo praticado, como fez Picasso quando pintou Guernica



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