sexta-feira, 29 de junho de 2012

O TESTAMENTO




A sala de estar estava com uma luminosidade de penumbra em razão de um pequeno foco de luz que penetrava pela fresta da janela daquela imensa casa onde Mr. Anthony viveu seus últimos dias.
Corria o ano de 2007, mais precisamente o dia 22 de setembro.

Sobre sua escrivaninha uma agenda mostrava essa data. Seu pensamento começou a divagar pelas paredes de sua memória onde seu passado se fazia presente em momentos de espetacular nostalgia.
Conseguia nervosamente concatenar um emaranhado de pensamentos furtivos, atitudes rompantes e arrependimentos de situações que pensou em fazer quando ainda jovem, mas que a vida por caminhos incertos, tirou-lhe a razão.
Agora já era tarde, não lhe restava muito tempo de vida, suas ideias eram inquietantes, começou então a escrever algo que se apoderou no momento; uma relação de suas posses em forma de testamento, pois o fato de não ter nenhum herdeiro lhe incomodava.
Nesse momento escutou o barulho de uma pedra estilhaçando a sua vidraça. Levantou-se vagarosamente e abriu a cortina que cobria a janela e avistou um menino que lhe acenou alegremente. Ficou pensativo e com o olhar aturdido observando o garoto; até que como em um passe de mágica, desapareceu em meio às frondosas arvores que rodeavam o casarão.
Aquele garoto era uma visão de sua mente perturbada, querendo que fosse seu filho, para deixar sua herança em forma de testamento.
Na mansão vivia um casal de empregados que cuidava dos jardins e as tarefas domesticas. 
Voltou então para sua mesa de trabalho e fez a ultima anotação às 17 horas. Foi encontrado no dia seguinte sob o espanto da esposa do jardineiro, que pacientemente lhe dava atenção para seus últimos pedidos.
Olhou acima do corpo sobre a escrivaninha e notou aquela agenda aberta com anotações que não conseguia compreender, pois estava escrito em um idioma desconhecido para a velha senhora. Em redação quase que incompreensível na língua inglesa, deixou seus pertences para aquele menino que julgava ser seu filho.
A mulher saiu correndo e chamou o marido; quando o encontrou exclamou! - José, ele morreu, deixou tudo escrito sobre a mesa.

O jardineiro que entendia o idioma foi lendo até chegar o momento em que relatava que deixava tudo para o filho do casal. Eles ficaram espantados, pois nunca tiveram filhos!.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O ÚLTIMO CAUDILHO



Uma assinatura chamuscada pelo fogo foi tudo o que restou naquele pedaço de papel junto às cinzas depositadas na lareira da sala de estar; comprovando ainda resquícios de um passado que tentou destruir.
Seu olhar se manteve fixo por alguns instantes naquele local, lentamente começou a caminhar, carregando o enorme corpanzil, dando voltas ao redor do tapete descolorido.
Afundado em pensamentos, lembrou que aquele documento continha, ainda, revelações sombrias sobre seu passado, marcado pelas atitudes insanas, praticadas ao longo de sua vida.
Depois da fuga desesperada de seu reduto, tomando caminhos tortuosos, esteve sempre recluso. O medo de expor seu rosto entre as pessoas nas ruas da pequena cidade onde instalou o seu refugio era assustador.
Já tinha destruído através do fogo todos os vestígios na forma de papel que marcavam com letras sangrentas todo o seu passado. Queria agora modificar sua face, para poder aproveitar incólume, alguns momentos que lhe restava de vida.
LOBO NA PELE DE CORDEIRO
Subiu ao poder e se mostrou como um caudilho, mascarando sua permanência como um ditador, dizendo-se um salvador da pátria, apregoando que sua missão era salvar o povo da miséria que ele mesmo proporcionou, durante a luta pelo poder.
Assim sendo, tornou-se um soberano, mas com um governo fraco e sem planejamento, permanecendo no poder à custa do extermínio das pessoas que se opunham ao seu governo.
O POEMA DO SOFRIMENTO DE UM POVO
 Ostentação do poder e continuidade
Manipulação nos meios de comunicação
Propaganda enganosa pela saturação
Mentiras ao povo oprimido
Migalhas enganando a fome
Gente sofrida
Vozes do silêncio
Caminhos indefinidos
Passos e descompassos
A LIBERTAÇÃO
Nasceu um novo dia, um canto de esperança ecoou nas montanhas embaladas pelo vento. Os caminhos se abriram para as forças amigas da paz a que vieram libertar o povo e as matas, que ficaram com as folhas murchas, agora orvalhadas e revigoradas com o verde.
A MORTE NO EXÍLIO
Chamou o seu único ordenança que o acompanhou na fuga e mandou que apanhasse aquele pedaço de papel que não foi queimado totalmente na lareira. Com as mãos tremulas, assoprou as cinzas e leu as últimas linhas com sua assinatura. Amassou o papel, colocou na boca e engoliu, provocando um soluço mortal. Acabava naquele momento, o último resquício de um poder que ficou manchado na historia daquele povo.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O PODER E A MENTE


O poder do pensamento encontra-se presente em todos os nossos momentos. Porém, como tudo depende de ordem e método, é imperioso educarmos a nossa mente, se quisermos triunfar na vida, fazendo com que a felicidade nos sorria em todos os instantes.
O mundo se transformaria dentro de alguns anos, se um dos primeiros cuidados pedagógicos fosse o de educar a juventude, no sentido de ensiná-la, a saber, pensar para conceber sempre ideias salutares. Seria muito bom ver que enorme influência exerceria o processo, na formação dos homens do futuro.
Saber pensar, para não abrir a porta da consciência e a insistente tentação de agentes mórbidos que contaminam o sentimento e lançam a tristeza e a duvida sobre as almas pouco experientes; saber pensar, para pensar no bem e estar sempre em contato com a luz e viver sempre em afinidade com o grandioso, é um imperativo moral, que nos põe a coberto de erros lamentáveis que acabrunhassem e confundisse o nosso espirito, no curso da vasta a árida extensão que temos de percorrer nesta vida.
Sejamos implacáveis na atitude positiva de repelir todos os pensamentos indecisos, vagos, tristonhos, que revoluteiam em torno de nós. Eduquemos nossa mente, acostumando-nos a pensar que tudo obedece a um principio de bondade, que se manifesta direta ou indiretamente e convençamo-nos de que tudo existe para o bem.
Texto de autor desconhecido extraído e adaptado por:
Antonio Vendramini Neto
Fonte: Redação da Revista Pensamento (1949) 


O CAMINHO DA CRUZ

O CAMINHO DA CRUZ Tudo estava quieto... Naquele momento, pressentia-se que alguma coisa pudesse acontecer a qualquer instante;...