quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

VOZES NO SILÊNCIO DA NOITE


OS MEUS ANTEPASSADOS...


Vieram de plagas distantes com o intuito de realizar sonhos e conquistas. A origem da famiglia Vendramini é a cidade de Treviso na Itália, localizada na região do Vêneto, próximo a cidade de Veneza.

  
A ITÁLIA DAQUELES DIAS...

A imigração para o Brasil deu-se no ano de 1884. Naquela ocasião, a Itália ainda se ressentia da unificação, com muitos problemas, principalmente no que tange a produção de alimentos para a sobrevivência de seus povos que consistia de várias etnias.

O BRASIL DAQUELA ÉPOCA...  

O Brasil um país com um reinado claudicante, na figura de D. Pedro II, colocava sua força motriz baseada no trabalho escravo para alavancar as fazendas de plantações de café que era a sua mola mestra.

Surgiu então a necessidade de substituir essa mão-de-obra. Desenhava nessa ocasião o terceiro reinado que tinha na princesa Isabel o desejo de branquear a raça. Abriu-se então a facilidade de imigração dos povos Italianos, Portugueses e Espanhóis.


O DESEMBARQUE DA FAMÍLIA...


Ocorreu no porto de Santos em 1884 e fixaram residência em um vilarejo de nome Banharão nas proximidades da cidade de Jaú, Estado de São Paulo, onde trabalharam em lavouras de café.
A Família sempre viveu com muitas dificuldades como qualquer outro imigrante italiano daquela época, que chegava ao Brasil sem saber direito como eram os costumes e as leis e principalmente uma língua até então desconhecida para eles: o português.

Tiveram muitos problemas de adaptação principalmente quanto aos contratos com os fazendeiros, mudando muitas vezes de fazenda em fazenda na região.

No decorrer do tempo conseguiram comprar algumas terras e montaram o seu próprio negócio de plantação de café. Com o falecimento dos mais velhos os filhos ficaram com as propriedades, dando os mais diversos destinos nos caminhos da vida.

Tive muita afinidade com meus avós, tanto, que em uma noite, suas vozes soaram em meus ouvidos, pedindo para voltar e ficar nas entranhas da terra onde nasceram.

A partir de então, realizei juntamente com minha esposa uma viagem de navio, levando para Treviso todo o sentimento daquelas almas. Durante a viagem compus o poema que segue abaixo:

 O RASTRO BRANCO DE UMA HÉLICE

 Vozes no silêncio da noite soaram em meus ouvidos

Eram os meus ascendentes chorando a pátria distante

Falaram de suas terras deixadas sem destino

De uma colheita sem realizar...

Querem voltar...

Para rever os parreirais

Manchas vermelhas nas camisas

De sangue e de vinho sangrando na saída

Choro de mulheres com crianças na barriga


 Contaram sobre uma época

Quando aportaram nas águas verdes do Brasil

Percorrendo os confins de Treviso

 Para ganhar o mar azul saindo de Nápoles

Na busca de ilusões sonhos e conquistas

O navio trouxe pessoas e a alma da família


 O tempo passou... Passou... Passou...

Estou voltando com as cinzas do passado...

Dos homens e mulheres...

Que sentiram as sensações de outrora...

Em uma terra de sonhos...

Mar revolto... Velhas canções...

Na passagem por águas e terras africanas


No começo do velho continente

Deixo cair um pouco de nuvem cinza no oceano

Guardadas em velhas garrafas de vinho

Para recordar o caminho

Daqueles que por ali passaram em vida


 É o fim de um verão

Em um colóquio de sentimentos

No Transatlântico branco Europeu

Percorrendo o caminho inverso

De águas aquecidas pelos sonhos no oceano


 Parti do porto esperança

Do universo de minha vida

Correu uma lágrima na face sonhadora


Fiquei angustiado na saída...

Mas com uma vontade imensa de chegar...

Para as cinzas espalhar

No seio e no cio da terra onde nasceram


 Replantei a semente dos velhos capitães...

Na terra dos antepassados...

DEUS ESTÁ PRESENTE

Entrei no escuro da noite Conversei com Deus Pediu que te dissesse: Tudo está bem. És uma pessoa destinada a ser vitoriosa ...