domingo, 22 de novembro de 2015

O ANIVERSÁRIO DO VÔ TONINHO





Foi com muita satisfação que, no ultimo mês de março, completei mais um ano de vida. Desde os doze, estive sempre mergulhado em trabalho... Logo na flor da idade, ajudava no sustento da família, estimulado por meu pai.

Não me arrependo e louvo o seu esforço (que Deus o tenha em um bom lugar, junto de minha querida mãe).

Ambos, desde cedo, dirigiram a minha sorte na vida, para que, com um trabalho digno, se estabelecesse uma fonte de saber, proporcionando-me um encaminhamento para, no futuro, constituir uma família.

Cresci sob essa visão e não medi esforços laborativos para ajudá-los na desincumbência da missão. Hoje, vejo que, naquela época, criar filhos era muito penoso; obrigava-os a trabalharem arduamente para dar uma educação dentro do que era possível.

Comecei minha jornada de trabalho fazendo serviços corriqueiros, próprio de um menino, em escritórios comerciais, entregando livros a pé e, depois, com uma bicicleta, indo a bancos, cartórios e outros; o autêntico ‘menino de recados’ como se chamava naquela época. Depois veio o tal de ‘Office-boy’ que era tudo a mesma coisa.

Passado um ano, minha mãe arrumou, não sei como, um trabalho em uma indústria; mas para ingressar tinha que obter uma autorização de um Juiz da Comarca, porque, naquela ocasião, o menor de idade só poderia começar a trabalhar aos quatorze anos.
Fiquei nesse local por quatro anos e ali conheci a jovem Dijanira e começamos um namorinho. Na ocasião, eu era metido a escrever poesias e como gostava dela e não sabia como me aproximar, mandava bilhetinhos em forma de versos.

Nessa ocasião, meu pai me arrumou outro trabalho no mesmo local que o dele; e lá fui eu operar no Departamento de Pessoal. Fiquei pouco tempo, porque, já com mais idade, estava estabilizado com o namoro e pensava em me casar. Arrumei, então, um trabalho em uma empresa multinacional e casei-me. Lá, cresci profissionalmente, galgando postos gerenciais até a minha aposentadoria.

Posteriormente, virei consultor na área da gestão da qualidade, introduzindo as normas ISO-9001 e, depois, me especializei na auditoria para a certificação.

Durante a minha vida profissional, minha esposa também fez a parte dela, trabalhando dentro de sua profissão, ajudando a família crescer unida e preparando os filhos para o futuro.

Hoje, temos os filhos Alexandre e Erika que, cuidam dos netos queridos: o Lucas e o Augusto.

Neste mês, festejei o meu aniversário ao lado de toda a família, dando-nos a oportunidade de comemorar, com alegria, momentos felizes.

Deus permita que eu esteja presente por mais outros anos, para ver o crescimento dos meninos, podendo ainda, brincar de avô e neto.




sábado, 14 de novembro de 2015

SOCORÔTO

SOCORÔTO



O título desta crônica parece um tanto quanto esquisito à primeira vista, mas, para quem viveu uma aventura engraçada acontecida comigo em uma viagem pelo Egito, não vai estranhar nem um pouco. Estava em Aswan, situada a mais ou menos 950 Km ao sul do Cairo.
Por lá visitamos inúmeras atrações: tais como – Museu de Núbia, Jardim Botânico, Mausoléu de Agha Khan, Obelisco inacabado, templo de Philae e a Ilha “Elephantina”, (que separa o rio Nilo em dois canais opostos a Aswan). Tem cerca de 1500 metros de comprimento e 500 de largura na parte sul.
Conforme informações recolhidas, o nome ficou assim conhecido pelos gregos, provavelmente porque houvesse por lá, um mercado de vendas do marfim africano e, durante a época Greco-romana, começou a perder importância e as atividades foram transferidas para Aswan.
Nossa estadia nessa cidade, foi em um hotel pousado sobre uma quase perfeita e natural prateleira de granito, em frente à Ilha que é um encanto para os olhos, esbanjando categoria, um lugar excepcional, a partir do qual, pudemos embarcar confortavelmente em mais uma aventura egípcia, já que viemos do Cairo de trem, em ótimas acomodações, onde pernoitamos em um carro-leito, para seguir dali alguns dias, em um cruzeiro pelo Rio Nilo.
Este hotel, foi que inspirou Agatha Christie a escrever o seu livro “Morte no Nilo”. Em seu terraço, tomamos o tradicional chá das cinco, que é uma tradição, e contemplamos com satisfação e encantamento o panorama, onde as “felucas” avançavam suavemente pelo Rio, foi um momento magnífico ver aquele entardecer.
Mas O que são felucas? - Na língua árabe significa barco à vela tradicional de madeira usados nas aguas do Nilo. Esse tipo de embarcação consiste em uma ou duas velas em cada mastro. É comum terem capacidade para dez passageiros e sua tripulação são compostas por duas ou três pessoas.

Apesar de terem se tornado obsoletas pelos barcos a motor, ainda são muito usadas como meio de transporte nas cidades à beira do Rio, por proporcionarem entre os turistas, ambientes mais silenciosos e calmos.
 Para continuarmos os passeios no dia seguinte, fomos até o ancoradouro e preferimos tomar um barco feluca ao de motor, para atravessar o rio, indo para outra margem onde faríamos alguns passeios.
Fomos recebidos por um beduíno todo aparamentado com turbante, túnica e chinelos comuns ao lugar.
Iniciamos uma conversação para pagar a passagem e o beduíno começou a falar que, pelos gestos, entendi ser uma cortesia do hotel.
Conversa para lá e para cá (não entendíamos nada), falei que era brasileiro. Para melhor ser entendido, fiz gestos com os pés como se fosse um chute de uma partida de futebol.
Não houve espanto porque só havia eu e minha esposa nessa travessia. Descemos e fomos aos passeios. Daí, chegou o momento da volta. Chegamos ao ancoradouro e lá estava aquela “peça”. Já começou a falar alto e fazer movimentos de chute, falando: “SOCORÔTO, SOCORÔTO E SOCORÔTO”.
Arrisquei a entendê-lo melhor com o meu inglês de viagem - ele respondia pior do que eu, dizendo que assistia muito os jogos do Brasil pela televisão.
E veio novamente com as palavras “SOCORÔTO DU BURAZIRO”. Daí entendi que falava do Sócrates, jogador notável que teve passagem meteórica pelo Corinthians, Seleção Brasileira e depois foi jogar na Itália.
Ao descer, veio até ao m eu ouvido e falou aparando as mãos como conchas, como se fosse para ninguém ouvir (tudo em árabe).
Depois, bateu com as mãos em minhas costas e apertamos às mãos como um sinal de amizade, disse mais algumas coisas que até hoje não sei o que foi.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Estrangeiro Fugindo do Frio




ESTRANGEIRO






FUGINDO

DO  FRIO




Em mais um dia de navegação, durante uma travessia saindo de Veneza, na Itália vindo para o Brasil, o transatlântico fez uma parada em um dos portos mais exuberantes da Europa.

Trata-se de Dubrovnik que é uma cidade costeira da Croácia, localizada no extremo sul da Dalmácia e que, pela sua beleza natural, é conhecida como “a pérola do Adriático”.

Os cafés e restaurantes fazem do local um destino turístico muito apreciado. A parte antiga é dividida ao meio pela Placa Stradum, além de diversos monumentos e edifícios históricos.

Saímos do navio e nos dirigimos ao porto para os procedimentos alfandegários, conforme instruções recebidas pela administração do navio, ocasião em que tínhamos que exibir os passaportes, fato que não ocorreu em outros países.

Acabamos saindo de forma ”solos” e rapidamente nos desgarramos de outras pessoas na maioria brasileiros e alguns poucos estrangeiros.

Assim, começamos a percorrer as ruas e avenidas até chegar a uma praça muito bem ornamentada com flores nos monumentos, onde nos detivemos em uma delas para apreciar.

Era um monumento erguido para os heróis da cidade que perderam suas vidas na guerra travada pela separação da Yugoslávia ocorrida em 1991.

Logo se aproximou um casal de estrangeiros, instante em que começamos a “travar” um diálogo, porque nos identificamos através das “sacolas de guardados”, que tínhamos nas mãos, com a logomarca do navio.

Com alguma dificuldade, a conversa rolava e dizia que estava indo para o Brasil, para fugir do frio Europeu. Seguindo depois do porto de Santos até uma comunidade de sua raça, localizada em Mato Grosso, ficando por lá até acabar o nosso Verão. Depois disso, voltava da mesma forma, para o Verão Europeu.

Disse também que fazia essa jornada por vários anos, fugindo do terrível frio, porque na sua idade e o da esposa, não conseguiam mais conviver com o clima dessa estação.

Então em frente ao monumento, começou a falar de uma situação envolvendo flores, mas tinha muita dificuldade para traduzir no idioma português. Então começou a balbuciar:

-Como chama esses, folhas colorridas? Como mesma?

Nesse momento um grupo de viajantes brasileiros que também estavam no navio, chegou ao nosso redor e começou a apreciar aquela confusão e logo percebeu a dificuldade, e então “cochichou” para um colega:

-”Vamos tirar um sarro desse estrangeiro”, e falou em bom som:

- “É Bosta”.

O Estrangeiro agradeceu e começou a narrar um episódio acontecido quando sua irmã foi operada.

-Vocês me sabem, eu cheguei perto da hostitale e comprou um vaso cheio de bosta, para levar parra meu irmon. Logo que chegou na putarria da hospitale, eu  falou para o mocinha de recepçon:

- Gosta de bosta?  Fica com um, está muito cheirroso.

Todos riram, e o estrangeiro percebeu alguma coisa errada e ficou olhando desconfiado de que a palavra estava mal colocada, lançou um olhar raivoso para o gaiato com tom de repreensão e já queria brigar.

Separamo-nos todos e voltamos comentando o fato até chegarmos ao porto, momento esse de grande sufoco, porque tínhamos que enfrentar o pelotão de fotógrafas que ficavam aguardando o embarque das pessoas pelas escadarias, até chegar a um dos elevadores, momento que “desgrudavam”.

Já tínhamos sido alvos de vários cliks e, mesmo não comprando nenhuma foto, continuavam com o “assédio” e dizíamos que já tínhamos feito outros cruzeiros e as fotos acabavam sendo todas com o mesmo formato.

As fotógrafas eram todas italianas e pediam para fazermos pose. Já estávamos cansados daquilo tudo e então uma delas veio com uma solicitação diferente:

- Vieni qui si otterrà um quadro di questo (venham aqui, vocês vão ganhar a foto de presente).

Quando nos aproximamos falou no português que ela sabia:

- “Faz um sorrisada per foto” - isso porque dos dois mil passageiros, 854 eram brasileiros...

 Então realmente foi só risada e ela não entendia por quê.

Terminava, então, mais uma aventura em terra. Durante o vaivém pelos corredores e mais outras dependências do navio, ficávamos fazendo de tudo para não encontrarmos aqueles gaiatos brasileiros, os estrangeiros e as fotógrafas.
  

ANOS DOURADOS DE UMA ÉPOCA VIVIDA

ANOS DOURADOS  DE UMA ÉPOCA VIVIDA Repassando algumas fotos e recortes de jornais, armazenados em uma caixa de papelão no meu...